1# EDITORIAL 21.1.15

"A AGENDA DA INCOERNCIA"
Mrio Simas Filho, diretor de redao  

No se trata de olhar para o retrovisor, mas as iniciativas do segundo governo de Dilma Rousseff neste comeo de ano obrigam qualquer brasileiro minimamente informado a se recordar da campanha eleitoral de 2014. Como ouvir o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, dizer que pretende aumentar o Imposto de Renda das pequenas empresas sem se lembrar da disputa eleitoral? No era a ento candidata Dilma que no se cansava de repetir que aumentar impostos era uma especialidade dos tucanos? E mais, no era a candidata Dilma quem dizia que os seus opositores seriam responsveis por polticas tributrias que oneram os trabalhadores e privilegiam as grandes fortunas e o sistema financeiro? Pois bem, no caf da manh que tomou com jornalistas, na tera-feira 13, o ministro Levy explicitou que o aumento do Imposto de Renda que vem sendo trabalhado tem como alvo os prestadores de servios que recebem como pessoa jurdica. Ou seja, o aumento do imposto poder atingir exatamente o trabalhador que vive exclusivamente do fruto de seu trabalho e que, na condio de PJ, paga entre 4% e 4,5% de imposto, em vez dos at 27,5% pagos pelos assalariados. O ministro, pelo menos no caf da tera-feira, no fez nenhuma indicao de rever a tributao sobre a especulao financeira, a remessa de lucros para o Exterior, as grandes fortunas, etc.

As notcias dadas pelo ministro Levy so apenas mais um ato do segundo mandato de Dilma que nos remete  campanha eleitoral  pela qual o ministro, diga-se de passagem, no teve a menor responsabilidade. A montagem do governo j indicava que poderia se esquecer tudo o que fora prometido na disputa pelo voto. O loteamento dos cargos e dos gabinetes da Esplanada dos Ministrios seguiu a lgica de um toma l da c explcito, depois vieram as promessas de cortes e a constatao de que uma das reas mais atingidas ser a da Educao. Mas, no era a candidata Dilma que se colocava, durante a campanha, como a nica capaz de arrumar a economia sem comprometer o social? E educao no faz parte do social? Quando colocados diante de tais questes, governistas entoam o discurso de um hipottico terceiro turno. O problema, no entanto, no  esse. O que precisamos  a prtica de um governo coerente, seno com as promessas de campanha, pelo menos afinado entre si. Como bem diz Frei Betto, um dos cones do PT, na entrevista desta edio de ISTO, esse governo s parece trabalhar em harmonia quando  para tomar atitudes que prejudicam os que mais precisam.

